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Rompimento de canal de Jaíba pode gerar perdas de R$ 500 milhões.

 



Canal de irrigação no Norte de Minas está com fissuras ao longo 300 m do canal, que é gingastesco.


Canal do Projeto Jaíba oferece irrigação para uma área de quase 40 mil hectares.


POR GABRIEL RODRIGUES, O TEMPO.


Foto: DIJ2/Divulgação


Devido a vazamentos, o risco iminente de rompimento no principal canal de irrigação do Projeto Jaíba, no Norte de Minas Gerais, pode causar uma perda de pelo menos R$ 250 milhões em produção agrícola. Com replantio, no mesmo valor estimado, o prejuízo pode ultrapassar R$ 500 milhões. O governo estadual, responsável pela estrutura, conhece o problema há quase dois anos, mas, até então, não realizou ações para contê-lo, de acordo com o Distrito de Irrigação do Jaíba II (DIJ II), entidade que opera o canal.

Os vazamentos são na área mais nova da estrutura, que abrange a segunda etapa do projeto, concebido nos anos 50 para viabilizar a agricultura na região com uso da água do rio São Francisco. Hoje, a área responde por metade da produção de bananas do Estado, por exemplo, e também abastece o mercado interno e externo com limão, manga e outros produtos agrícolas. Empreendimentos bilionários, como o Projeto Solar Sol do Cerrado, nova usina fotovoltaica da Vale, também foram atraídos para a região. Um possível rompimento pode acarretar em atrasos das obras e gerar desemprego. 



A segunda etapa do Projeto Jaíba foi inaugurada no início dos anos 2000, e a DIJ II diz não ter conhecimento da origem do problema, detectado em 2019. As rachaduras têm se agravado, segundo a gerente executiva do distrito, Anna Priscila Dias. “Foram detectadas fissuras em um trecho de 300 m do canal, o que é gigantesco. Se ele romper, 8.000 hectares ficarão comprometidos, onde existem plantações de cana-de-açúcar e de frutas, por exemplo, e isso foi comunicado ao governo. O canal pode romper hoje, amanhã ou daqui a dois anos, e o custo caso isso aconteça será muito maior do que a solução que deveria ser feita agora”. 

Ela explica que será necessário cobrir as fissuras com um tipo de manta utilizado em sistemas de drenagem, mas que o governo do Estado ainda não formalizou uma proposta de licitação para encontrar fornecedores. Pela estimativa da Prefeitura de Jaíba, o eventual rompimento do canal levaria a um prejuízo de cerca de R$ 250 milhões, pois levaria à perda da produção agrícola da região afetada por falta de água. A etapa II do Projeto Jaíba, onde estão as fissuras, concentra a produção agrícola empresarial, enquanto a etapa I abrange produtores de pequeno e médio porte.

OBRA CUSTARÁ R$ 3,6 MILHÕES

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), por outro lado, afirma que a obra de recuperação dos trechos danificados está sendo tratada e custará, segundo o primeiro orçamento, R$ 3,6 milhões. “A situação está relativamente controlada, as providências para a contratação da obra estão sendo tomadas. A previsão de duração da obra é de três meses. Devido à dificuldade de disponibilidade de empresas que detenham a tecnologia, que é de alta complexidade, a previsão é de três a quatro meses para o início das obras”, detalha, por meio de nota.

Segundo a Seapa-MG, nos pontos onde foi verificada uma menor resistência para a passagem da água, foi feito um mapeamento dos trechos que precisavam ser recuperados, uma vez que há diversos pontos ao longo dos 310 metros do canal principal. “O principal desafio é que é preciso recuperar o canal com água circulando dentro dele. A área com irrigação permanente que seria afetada pela paralisação no Distrito II do Jaíba seria de aproximadamente 8 mil hectares de cultivo do empresariado privado”, diz a pasta.

POPULAÇÃO DE JAÍBA PODE FICAR SEM ÁGUA

Se houver um rompimento no canal do projeto de irrigação, os prejuízos podem ir muito além das perdas nas lavouras. Os quase 40 mil habitantes de Jaíba poderiam ficar sem água, segundo o prefeito da cidade, Reginaldo Silva (MDB).

“A água da Copasa vem desse canal. O rio Verde, que ela também utilizava, está secando novamente, então nossa única água é do canal. Imagine ter que abastecer uma cidade inteira com caminhão-pipa”, pontua o prefeito. Jaíba está localizada na região do semiárido mineiro e faz parte da região abrangida por recursos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Cerca de metade dos moradores do município, de acordo com Silva, vive na área urbana e depende diretamente do abastecimento da Copasa. A estatal foi procurada pela reportagem para esclarecer se tem um plano para o caso do rompimento do canal e não deu retorno até a finalização desta matéria. De acordo com o Distrito de Irrigação e com a prefeitura, contudo, não há risco de inundação da cidade.

VALE PODERIA SER IMPACTADA

Um rompimento também poderia interferir no trânsito de moradores e trabalhadores da região. Na última semana, a Defesa Civil municipal endereçou uma análise dos riscos ao governo estadual e apontou que a circulação pela rodovia LMG-633, única via de tráfego de algumas das empresas que atuam na região.

Um dos empreendimentos que poderiam ser parados com a inundação da via é o Solar Sol do Cerrado, um projeto bilionário de energia fotovoltaica da Vale em construção em Jaíba. De acordo com a empresa, as obras dependem do abastecimento de caminhões-pipa, mas caso o canal se rompa, haveria prejuízos no deslocamento de trabalhadores e fornecedores.

“Durante a fase de implantação, serão gerados mais de 1.000 empregos temporários, com prioridade de contratação de mão de obra local. Atualmente, há cerca de 250 profissionais em atividades de supressão vegetal e obras civis”, informa a empresa, por meio de nota. O empreendimento tem um custo estimado de US$500 milhões, segundo a Vale, e deve ser inaugurado no final de 2022, se tudo correr normalmente.

Ainda que conte com a perspectiva dos novos projetos na cidade, o prefeito de Jaíba argumenta que a maior parte da receita municipal depende diretamente dos canais de irrigação. “Hoje, 60% a 70% da nossa economia passa pelo Projeto Jaíba. Com um rompimento, 40% dos empresários do projeto na área podem quebrar, porque se uma pessoa perde 100 hectares de frutas por falta de água pode precisar de milhões para recuperar”, diz.

Veja nota, na íntegra, da Seapa-MG:

"A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e o Distrito II de Irrigação do Jaíba vêm acompanhando o problema no canal principal, no trecho chamado Canal CP3, há aproximadamente 1 ano e 8 meses. O Distrito II de Irrigação contratou uma empresa especializada numa técnica que se chama Eletrorresistividade.

Nos pontos onde foi verificada menos resistência (mais facilidade) para a passagem da água, foi feito um mapeamento dos trechos que precisavam ser recuperados, uma vez que há diversos pontos ao longo dos 310 metros do canal principal.

O principal desafio é que é preciso recuperar o canal com água circulando dentro dele. A área com irrigação permanente que seria afetada pela paralização no Distrito II do Jaíba seria de aproximadamente 8 mil hectares de cultivo do empresariado privado. A emergência está em se fazer a obra com a água circulando. A obra está sendo tratada, num primeiro orçamento, em R$ 3,6 milhões.

A situação está relativamente controlada, as providências para a contratação da obra estão sendo tomadas. A previsão de duração da obra é de três meses. E não é possível parar a irrigação durante 3 meses devido às culturas em andamento na área empresarial do Distrito II, que possui lotes de 20 até 90 hectares irrigados e a atividade produtiva não pode ser interrompida. A Seapa trabalha para que a situação não acarrete nenhum prejuízo aos produtores".


Fonte: O tempo


BLOG BONEKA JAÍBA

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